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domingo, 11 de abril de 2010

Miscelania

Deus e o Diabo na Terra do Frevo - O maniqueísmo retórico de Dom Robinson Cavalcanti
por moises.junior — Última modificação 05/02/2007 16:33
Carlos Eduardo Brandão Calvani



Nos últimos meses o bispo da Diocese Anglicana do Recife, Dom Robinson Cavalcanti tem escrito e distribuído diversos textos e Cartas Pastorais analisando o atual momento de debates na Comunhão Anglicana em torno da eleição do Rev. Gene Robinson para bispo da Diocese de New Hampshire (EUA) e a confirmação da mesma pela Assembléia Geral da Episcopal Church of the United States of Am erica (ECUSA).

Não pretendo entrar no debate em torno da possibilidade do ministério de homossexuais. Preocupa-me muito mais, o modo como Dom Robinson Cavalcanti tem alimentado a polêmica em seus textos e, particularmente pela linguagem que utiliza, recheada de polarizações, chavões, lugares-comum, maniqueísmo e explícito belicismo.

Tenho procurado acompanhar quieto a divulgação desses textos sem lhes dar muita importância. O problema é que ultimamente, o bispo Robinson tem extrapolado em sua retórica e partido para ataques gratuitos. Some-se a isso o fato de que as “Cartas Pastorais” seriam, em princípio, a palavra de orientação do bispo diocesano para o clero e laicato de sua diocese. Porém, essas cartas são enviadas para todo o clero da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e sabe-se lá a quem mais, e isso às vezes me soa ou como propaganda ou como provocação e poucos têm a coragem de se pronunciar publicamente, às vezes por temer o poder episcopal. Em seu último texto, “Os dois cristianismos”, ele diz estar situado num “forte apache” que é sua Diocese, cercado por “índios” fundamentalistas e liberais, acusando “ a tribo dos liberais da nossa Província” (sic) de estar tocando os tambores da dança da guerra”. Aos poucos, vai se tornando difícil ler e ouvir passivamente essas acusações. Se é certo que devamos ter respeito aos bispos, estes também precisam aprender a respeitar tanto seus colegas de ministério, como presbíteros, diáconos e leigos da Igreja que têm o direito de não concordar com algumas idéias. O bispo Robinson Cavalcanti agora está assumindo a posição de John Wayne do Nordeste, uma espécie de cowboy tupiniquim cercado por “índios” (sic). O que a história nos conta é que os “desbravadores” do oeste americano que edificavam “fortes apaches” para se defender dos índios o faziam porque invadiam as terras indígenas em busca de poder. Apoiados por indústria bélica mais desenvolvida, tomavam posse das terras indígenas à força e covardemente se refugiavam em seus “fortes” esperando contra-ataques. O resultado da triste história dos indígenas norte-americanos nós conhecemos e certamente o bispo Robinson também conhece. É isso que me surpreende: ele agora se identifica, por incrível que pareça, com George Bush e os texanos, numa cruzada pelo poder na Comunhão Anglicana.

Resolvi sair do meu silêncio e escrever este artigo porque entendo que todos na Igreja (mesmo os que pensam diferentes de nós) merecem respeito. Dom Robinson Cavalcanti está acostumado a defender suas idéias sem ser contestado, ao menos em sua região. Porém, ele agora começa a disparar sua metralhadora retórica contra outros clérigos da IEAB. O mais simples exame de balística nos tiros dessa metralhadora revela terem sido fabricados nos arsenais fundamentalistas. Este texto, portanto, pretende ser uma resposta à série de argumentos falaciosos defendidos pelo bispo e à sua estratégia de estigmatizar irmãos (bispos, clérigos e leigos) que com ele não concordam. Ele bem sabe que faço parte do grupo que não concorda com suas posições, pois sempre que conversamos pessoalmente, nossas diferenças se tornam claras. Porém, ao menos comigo, Dom Robinson sempre se mostrou pronto ao estabelecimento de um diálogo saudável. Mas agora ele anda utilizando-se de linguagem extremamente sarcástica, contraditória e agressiva, que muito nos incomoda.

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